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A busca por um Xavier tem quatro paradas, e nenhuma delas começa com o sobrenome digitado numa caixa de busca.
Comece pela paróquia da cidade onde a família já aparece. Peça o livro de batismo da freguesia no período, anote livro, folha e número do assento, e copie o nome dos padrinhos junto, porque padrinho é a pista que atravessa gerações.
A segunda parada é o arquivo diocesano. Quase toda diocese brasileira recolheu os livros antigos das paróquias para um arquivo central, e boa parte desse acervo já foi microfilmada e está indexada no acervo do FamilySearch, consulta gratuita.
A terceira parada é o rastro da missão. O Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul e o Museu das Missões guardam documentação do período missioneiro, e a série da Companhia de Jesus, com as cartas ânuas e os censos das aldeias, está no Archivum Romanum Societatis Iesu, em Roma.
Some a essa parada os arquivos portugueses. O Arquivo Histórico Ultramarino, em Lisboa, guarda a correspondência entre o Conselho Ultramarino e as capitanias, e o Arquivo Nacional da Torre do Tombo tem o fundo dos jesuítas e das visitações.
A quarta parada só interessa a quem achou ligação real com Navarra, e quase ninguém tem. É o Archivo Real y General de Navarra, em Pamplona, que guarda a documentação do reino.
Três armadilhas derrubam a maioria das buscas por esse sobrenome.
A primeira é a grafia. Procure por Xavier, Xavier de, Exavier, Chavier, Javier e Xabier, e teste também as formas em que o escrivão colou o nome ao anterior, porque o índice alfabeta pela letra escrita e não pelo som falado.
A segunda é confundir devoção com sangue. Duas famílias Xavier da mesma vila costumam não ter parentesco, e só o assento com o nome dos pais separa uma da outra.
A terceira é procurar pessoa quando o caminho é freguesia. Achada a paróquia e a década, o nome aparece sozinho: o livro é organizado por data e lugar, nunca por sobrenome.
Achar a primeira aparição do nome na sua família segue três movimentos, nesta ordem.
Passo 1: feche a corrente do que existe em cartório. Peça certidão de inteiro teor de cada nascimento, casamento e óbito que a família conhece, e desça até o registro mais antigo que ainda cita nome de pai e mãe.
Passo 2: troque o cartório pela igreja. Com a cidade e a década em mãos, entre no livro de batismo da freguesia e no arquivo diocesano, e copie a folha inteira, não só a linha do seu antepassado.
Passo 3: teste a hipótese da missão. Se a região tem aldeia ou redução no período, procure o padroeiro da missão e compare com o sobrenome, porque o nome do santo local explica a maioria dos Xavier surgidos do nada.
O sobrenome que hoje abre um email de trabalho já foi o nome de uma casa nova numa colina de Navarra, depois o nome de um santo pintado na parede de uma capela de taipa, e por fim a palavra que um padre escolheu escrever num livro de página numerada. A prova está na folha, com data, testemunha e assinatura.
"Em que livro de batismo, de qual freguesia, o Xavier da sua família aparece pela primeira vez?"
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