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Silva sozinho não é chave de busca. O que separa um Silva do outro é a freguesia, o nome dos dois pais e o padrinho que assinou o batismo.
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A primeira camada é o assento paroquial. Batismo, casamento e óbito eram escritos pelo vigário no livro da freguesia, e valeram como registro civil no Brasil até o fim do Império.
O registro civil de nascimentos veio pelo Decreto 9.886, de 7 de março de 1888, em vigor a partir do primeiro dia de 1889. Antes dele, quem guardava a sua família era a paróquia.
No assento de batismo aparecem o dia, o nome da criança, a filiação e os padrinhos. Em família de liberto o padrinho costuma ser a peça que abre a próxima geração, mais até que o sobrenome.
O acervo está aberto e sai de graça. O FamilySearch mantém a maior coleção de imagens de livros paroquiais brasileiros, organizada por localidade, com cadastro gratuito e sem assinatura.
A segunda camada é o livro de expostos. A criança deixada na roda das Santas Casas recebia nome de pia e um sobrenome de prateleira: da Silva, dos Santos, de Jesus, da Conceição.
Um Silva pode descer de um exposto, e o livro da roda registra a data, o enxoval e o bilhete deixado junto. As Santas Casas de Misericórdia guardam essas séries, e parte já está em arquivo público.
A terceira camada é a papelada da escravidão, e ela exige método. O batismo de uma pessoa escravizada costumava trazer só o nome de pia e a procedência, Angola, Mina, crioulo, sem sobrenome nenhum.
O sobrenome entrava depois, na alforria ou no registro civil. Duas coleções resolvem o salto: as cartas de alforria nos livros de notas dos tabeliães, guardadas nos arquivos públicos estaduais, e a matrícula dos escravizados de 1872, feita pela Lei do Ventre Livre, com nome, idade, cor e filiação, no Arquivo Nacional.
A quarta camada serve à família de lavrador. O registro paroquial de terras, feito entre 1854 e 1857 pela Lei de Terras de 1850, obrigava cada posseiro a declarar a terra ao vigário, com nome e vizinhança na mesma linha.
Para São Paulo existe uma série rara: as listas nominativas de habitantes, os maços de população de 1765 a 1836, digitalizadas e abertas no Arquivo Público do Estado, com o domicílio inteiro nome por nome.
Do lado português, os livros paroquiais estão digitalizados e gratuitos no Digitarq, o catálogo do Arquivo Nacional da Torre do Tombo e dos arquivos distritais.
Na leitura do livro velho, a grafia muda de página pra página. O mesmo homem aparece como Silva, Sylva e da Sylva na mesma década, porque o escrivão escrevia de ouvido e ninguém corrigia a ortografia de ninguém.
Vale a advertência de sempre, e no Silva ela vale em dobro: quadro com brasão vendido por sobrenome na internet não é documento de família. Armas pertenciam a pessoas e a linhas específicas, nunca a um nome inteiro.
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