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O nome mais ligado à reforma é o do foneticista Aniceto dos Reis Gonçalves Viana. Em 1904 ele publicou o livro Ortografia Nacional, em que defendia escrever o português pela pronúncia e pela história real das palavras, sem as letras gregas e latinas que ninguém pronunciava.
A proposta ficou sete anos no papel. Com a República, o governo provisório nomeou uma comissão para transformá-la em regra, com Gonçalves Viana à frente e filólogos como Carolina Michaëlis de Vasconcelos, professora da Universidade de Coimbra, entre os membros.
As mudanças principais cabem numa lista curta. O y virou i, o ph virou f, o th virou t e o rh virou r. As consoantes dobradas sem som próprio foram simplificadas, e a acentuação ganhou regras escritas.
A reforma valeu primeiro para a escola e para o Estado. Jornais, editoras e particulares demoraram a aderir, e muitos portugueses nascidos antes de 1911 seguiram assinando com y e letra dobrada pelo resto da vida, o que deixa grafias misturadas nos papéis da mesma família.
Nos nomes de pessoa, o efeito foi o mesmo das palavras comuns. Pereyra, Luiz, Marianna, Thereza, Philippe e Mattos passaram a Pereira, Luís, Mariana, Teresa, Filipe e Matos nos papéis oficiais e nos livros de escola.
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O MESMO ANO TROUXE O REGISTO CIVIL OBRIGATÓRIO
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O Código do Registo Civil, de 18 de fevereiro de 1911, tornou o registo civil obrigatório em Portugal para nascimentos, casamentos e óbitos. Até ali, o assento que valia era o paroquial, feito pelo padre.
O corte de 1911 tem, por esse encontro de datas, duas faces. Antes dele, o antepassado está no livro da paróquia, na letra do padre. Depois, está na conservatória do registo civil, na grafia nova. Os livros paroquiais antigos foram recolhidos aos arquivos distritais, que hoje digitalizam e publicam as imagens.
No Brasil, a escrita seguiu outro calendário. A Academia Brasileira de Letras aprovou em 1907 uma simplificação própria, Brasil e Portugal assinaram um acordo em 1931, e o Formulário Ortográfico de 1943 virou a base da escrita brasileira. Até lá, cartórios e paróquias brasileiras escreviam Luiz, Souza, Mattos e Phelippe sem constrangimento.
O nome registrado de uma pessoa viva, contudo, não muda com a reforma. Daí haver brasileiros chamados Luiz e Thereza até hoje: a grafia do registro de nascimento vale para quem a recebeu, e passa ao filho quando o cartório copia o sobrenome.
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