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A rota tem quatro pernas e cada perna deixou um tipo de papel para trás. A vida na Galícia deixou livro paroquial e cadastro fundiário austríaco. A saída deixou passaporte, contrato de agenciamento e lista de bordo. A entrada deixou registro de porto e documentação de colônia. A vida no Paraná deixou o livro do padre e o livro do cartório, lado a lado.
A pesquisa concreta monta em quatro paradas, e ela começa dentro do Brasil.
A primeira parada é a certidão brasileira de inteiro teor mais antiga que a família alcançar, de preferência um casamento celebrado no Paraná. Ela declara filiação e naturalidade, e é a naturalidade escrita à mão que abre a porta.
A segunda parada é a paróquia greco-católica do município onde a família se fixou, com pedido de busca no livro de batismo e no de casamento pela faixa de anos que a certidão indicou.
A terceira parada é o Arquivo Público do Paraná, com a documentação de colonização e de distribuição de lotes, que amarra o sobrenome a uma colônia e a uma data de assentamento.
A quarta parada é a Ucrânia, com os arquivos estaduais das óblasts de Ivano-Frankivsk, de Lviv e de Ternopil, e ela só rende depois que as três anteriores entregaram o nome da aldeia.
Três armadilhas derrubam a maior parte das buscas nessa linha.
A primeira armadilha é acreditar na nacionalidade do documento de entrada. Austríaco, polonês e russo aparecem nos papéis de 1895 a 1914 como rótulo de império, e nenhum deles diz onde ficava a casa da família.
A segunda armadilha é fixar uma grafia única no índice digitalizado. Quem procura só Kravchuk perde Krawtchuk e Cravchuque, e a mesma pessoa aparece com duas grafias em papéis separados por três anos.
A terceira armadilha é parar em 1938. A nacionalização apagou o ucraniano do espaço público, e o registro civil dos filhos nascidos depois esconde a origem que o pai declarou ao padre.
Fechar a corrente exige três movimentos, nesta ordem.
Passo 1: suba pelas certidões brasileiras até o documento mais antigo que declare naturalidade estrangeira, e copie o topônimo exatamente como o escrevente escreveu, com erro e tudo.
Passo 2: peça à paróquia greco-católica do município a busca do batismo e do casamento na faixa de anos correspondente, e peça foto do assento inteiro, não só a certidão resumida.
Passo 3: com a aldeia lida no assento, escreva ao arquivo estadual da óblast correspondente pedindo o livro metrical da paróquia daquele vilarejo.
Hoje: escreva três grafias do seu sobrenome, uma com Ch, uma com Tch e uma com W, e mande um único email para a paróquia greco-católica do município da família pedindo busca no livro de batismo, com as três grafias na mesma mensagem. Amanhã você separa as certidões brasileiras que já tem em casa.
"Qual aldeia está escrita no assento mais antigo da sua família?"
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