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O sobrenome do dia é Lima, e a história dele começa com o cônsul romano Décimo Júnio Bruto, por volta de 137 antes de Cristo. Bruto comandava a campanha contra os povos do noroeste da Península, a região que os romanos chamavam de Galécia.
Na margem do Lima, os legionários travaram. Para eles, aquela era a água do Lete, e cruzá-la significava esquecer quem eram.
Bruto tomou o estandarte, entrou no rio e atravessou sozinho. Já na margem norte, começou a chamar os soldados, um por um, pelo nome.
Ouvindo o general lembrar cada nome, a tropa entendeu o recado: ele tinha cruzado o rio e a memória continuava inteira. Os homens entraram na água e seguiram a campanha.
A cena virou orgulho local. Na margem de Ponte de Lima, uma fila de estátuas de bronze mostra hoje os legionários entrando no rio atrás do general.
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O GENERAL PROVOU A MEMÓRIA GRITANDO NOMES
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A vitória sobre os galaicos rendeu a Bruto o apelido de Calaico (o vencedor da Galécia). O historiador romano Tito Lívio registrou a campanha, e o episódio do rio passou de autor em autor.
O geógrafo grego Estrabão anotou o nome duplo do rio na Geografia, escrita por volta do ano 7 depois de Cristo: “o Lete, que alguns chamam Limeas e outros Belion”.
Do latim Limia, nome que os romanos davam ao rio, veio o Lima de hoje. A origem do Limia antes dos romanos ninguém sabe: pode ser palavra dos povos locais, mas esses povos não deixaram texto escrito, e sem fonte os estudiosos não chegaram a um acordo.
O rio deu nome à vila. Em 1125, a rainha Teresa de Leão, mãe do primeiro rei de Portugal, concedeu foral (a carta que criava o município e fixava seus direitos) à povoação junto da ponte, e Ponte de Lima é tida como a vila mais antiga do país.
Na Idade Média, sobrenome de lugar dizia de onde a pessoa vinha ou que terra ela senhoreava. Os primeiros Lima dos nobiliários (os livros de linhagens da nobreza portuguesa) eram senhores de terras no vale do rio.
Com o tempo, o nome desceu do castelo para a lavoura. Lavradores, ferreiros e emigrantes do vale passaram a ser chamados Lima por morarem ali, sem parentesco nenhum com a linhagem nobre.
Esse ponto muda a pesquisa. Um Lima na árvore não prova sangue fidalgo; prova, quando muito, um lugar, e o lugar leva ao livro certo.
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