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A hospedaria do Brás recebeu, ao longo de 91 anos, mais de 2,5 milhões de pessoas, segundo o Museu da Imigração. Cada uma ganhava uma linha no livro de registro, também chamado de livro de matrícula.
Nos anos 1930, o Departamento de Imigração e Colonização do Estado de São Paulo assumiu o recrutamento de trabalhadores de outros estados. Agentes contratados viajavam ao Nordeste e a Minas, e o transporte até São Paulo era pago pelo governo.
No fim daquela década, os brasileiros de outros estados passaram a ser maioria entre os registrados. O prédio pensado para receber o europeu tornou-se a porta de entrada do migrante interno.
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A FICHA DO NORDESTINO SEGUE O MESMO MODELO DA FICHA DO ESTRANGEIRO
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A linha da matrícula traz o número do registro, a data de entrada, o nome do chefe da família, o nome da mulher e dos filhos com a idade de cada um, o estado civil, a religião e a profissão declarada.
No lugar da nacionalidade aparece o estado de origem, e às vezes o município. Ao lado, o campo de destino informa a fazenda ou a estação ferroviária para onde a família foi encaminhada, com o nome do contratante.
A procedência é o dado que mais rende para a árvore. Ela aponta o município do Nordeste onde procurar o batismo e o casamento dos avós, nos livros da paróquia ou do cartório local.
O destino rende o segundo galho. Sabendo a fazenda e o município do interior paulista, dá para buscar o registro de nascimento dos filhos que vieram depois, no cartório daquela cidade.
Os livros do período nacional têm uma particularidade. Muitos migrantes não sabiam assinar, e o nome foi escrito inteiro pelo funcionário, a partir da fala. Sobrenome composto podia virar um só, e sobrenome raro podia sair trocado por um parecido.
Há também lacunas. Parte dos livros sofreu com umidade e manuseio antes da digitalização, e algumas famílias passaram pela hospedaria sem matrícula completa, quando a chegada foi em massa.
A família que veio por conta própria, sem contrato do governo, muitas vezes nem entrou no prédio. Nesse caso, a falta da ficha não desmente a história da migração: só indica que a chegada seguiu outro caminho.
Mesmo com essas falhas, a matrícula costuma ser o único documento que junta a família inteira num só dia e num só lugar. Pai, mãe, filhos e às vezes um irmão solteiro aparecem lado a lado, com idade declarada, o que ajuda a calcular o ano de nascimento de quem não tinha certidão nenhuma.
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