|
A rota começa no catálogo online do Arquivo Distrital do Porto, chamado digitarq (o sistema de pesquisa dos arquivos públicos portugueses). Lá ficam tanto os passaportes quanto os livros paroquiais do distrito, o que permite ir do embarque ao batismo sem sair do mesmo site.
Antes de abrir o site, separe dois dados da família: o nome completo do emigrante e um ano aproximado de chegada ao Brasil. A certidão de casamento ou de óbito feita aqui costuma dar a idade, e a conta reversa aproxima o ano de nascimento.
Passo 1: no digitarq do Arquivo Distrital do Porto, use a pesquisa simples com o nome e o sobrenome do emigrante, sem acento e sem o "de".
Passo 2: nos resultados, fique com os registos do fundo do Governo Civil do Porto ligados a passaportes, e descarte o resto.
Passo 3: compare a idade e os nomes dos pais de cada registo com os dados da família, e escolha o que bate com o ano de chegada.
Passo 4: abra a imagem do livro, não só a ficha do catálogo, e copie a freguesia, o concelho e o destino escritos pelo escrivão.
Passo 5: com a freguesia em mãos, procure no mesmo digitarq os livros paroquiais daquela paróquia e abra o batismo no ano provável.
No passo 1, a grafia atrapalha muitas vezes. O escrivão escrevia como ouvia, e Joaquim pode aparecer como Joaq.m, António como Ant.o, e Moreira com uma letra trocada; vale repetir a busca com essas variantes.
No passo 3, desconfie da idade com folga de dois ou três anos para cada lado. A idade declarada no passaporte e a idade calculada pela certidão brasileira raramente coincidem, porque a primeira era declarada e nunca conferida.
Se a busca não achar nada, há três explicações prováveis. O emigrante pode ter embarcado por Lisboa ou por Viana do Castelo, cujos governos civis têm livros em outros arquivos distritais; pode ter saído clandestino; ou o registo pode ainda não estar indexado pelo nome, e só a navegação pelo livro, ano a ano, vai encontrá-lo.
O FamilySearch entra como reforço. A coleção de registos paroquiais de Portugal, gratuita com cadastro, cobre muitas das mesmas freguesias e às vezes tem índice onde o digitarq só tem imagem.
Achado o batismo, a árvore anda sozinha por algumas gerações. O assento costuma trazer os avós paternos e maternos com a naturalidade de cada um, e cada nome novo aponta para o livro seguinte.
“Na sua família, alguém já viu a freguesia escrita num documento, ou ela só existe na memória dos mais velhos?”
Hoje, até as 22h: abra o digitarq do Arquivo Distrital do Porto, faça 1 busca com o nome completo do seu bisavô português e anote a freguesia do primeiro registo de passaporte que bater com a idade dele.
|