In partnership with

Raiz do Sobrenome   Raiz do Sobrenome
ED 077
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe a edição de amanhã: a votação está no fim desta edição.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

O bisavô entrou no Brasil por Buenos Aires

Quem some da lista de Santos pode ter desembarcado na Argentina; a base do CEMLA busca o passageiro por nome, sem pagar.

Livro de desembarque aberto ao lado de uma bússola de latão e um bilhete de navio.

Livro de desembarque do porto de Buenos Aires

▼
 
 

Você digita o sobrenome do bisavô italiano no acervo digital do Museu da Imigração de São Paulo, tenta três grafias, troca o prenome por Giovanni, Gio Batta e João, e a tela devolve zero. A família jura que ele veio de navio. O navio existiu; o porto talvez fosse outro.

Entre o fim do século XIX e as primeiras décadas do XX, Buenos Aires recebia vapores da Itália e da Espanha toda semana. O censo nacional argentino de 1914 contou perto de 30% da população do país nascida no exterior. Parte desses recém-chegados não ficou por lá: pegou trabalho na colheita do trigo, juntou dinheiro e cruzou a fronteira para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná ou São Paulo.

Quem cruzava por terra raramente deixava rastro na entrada brasileira. Não havia hospedaria, lista de bordo ou livro de desembarque na margem do rio Uruguai. Para os arquivos daqui, o bisavô surge pronto, já morando numa colônia, sem data de chegada.

O registro de chegada, nesses casos, ficou em Buenos Aires. Os livros de desembarque do porto argentino foram transcritos para uma base de dados pelo CEMLA, o Centro de Estudios Migratorios Latinoamericanos (Centro de Estudos Migratórios Latino-Americanos), instituição portenha ligada aos padres scalabrinianos. A busca por nome é gratuita no site cemla.com e cobre os desembarques de 1882 a 1960.

Cada linha da base traz o que o funcionário anotou ao pé da escada do navio: nome, idade, estado civil, nacionalidade, profissão, religião em parte dos anos, data de chegada, vapor e porto de embarque. Para quem só tinha uma foto e a lembrança de uma tia, são nove campos novos de uma vez.

O sobrenome desta edição aparece aos montes nessas listas, dos dois lados da fronteira, e mostra como a grafia argentina pode esconder um parente brasileiro.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

Yes, that Arnold Schwarzenegger.

He has a newsletter on beehiiv. So do Codie Sanchez, Jay Shetty, David Begnaud, Colin & Samir, and Joanna Stern.

They could publish just about anywhere. They chose beehiiv to build a direct connection with the people who want to hear from them most. And you can do the same, whether you’re world-famous or just at the start of your plan for world domination.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  O Sobrenome do Dia

Ferrari, o ferreiro que trocou de porto

Ferrari é um sobrenome italiano de ofício. Vem de ferraro, o ferreiro nos dialetos do norte da Itália, que descende do latim ferrarius (trabalhador do ferro). O i final, típico dos sobrenomes italianos, marca a família: os do ferreiro.

Toda aldeia tinha ferreiro, e o sobrenome brotou em centenas de lugares sem parentesco entre si. Dois Ferrari no Brasil quase nunca dividem o mesmo tronco, mesmo quando vieram da mesma província.

O mapa do sobrenome pesa para o norte. Ferrari se concentra na Lombardia e na Emília-Romanha, sobretudo em Modena, Reggio Emilia, Parma e Mântua. No Piemonte a forma vira Ferrero; no sul, Ferraro. Fabbri e Fabbro, de outra raiz, contam a mesma profissão.

Essa geografia importa para quem procura um Ferrari no Brasil. Historiadores da imigração italiana descrevem duas correntes com perfis diferentes: vênetos e trentinos predominaram nas colônias do sul brasileiro, enquanto lombardos, piemonteses e lígures foram em peso para a Argentina. Um Ferrari lombardo tinha mais chance de descer do vapor em Buenos Aires do que em Santos.

NA LISTA ARGENTINA, FERRARI PODE ESTAR ESCRITO FERRARIS OU FERRARO

O funcionário do porto escrevia o que ouvia, em castelhano, de um passageiro cansado que falava dialeto. A letra dobrada caía, o i virava o, um s sobrava no fim. A base do CEMLA transcreve o que está no livro, sem corrigir.

O prenome também mudava de língua na hora da chegada. Giuseppe virava José, Giovanni virava Juan, Giacomo virava Santiago. No Brasil, o mesmo homem passava a assinar José ou João, e a ponte entre as três formas só aparece quando se busca cada uma delas.

Há ainda o caso do imigrante que viajou duas vezes. Muitos italianos faziam a temporada da colheita argentina e voltavam para casa no inverno europeu; os argentinos chamavam esses trabalhadores de golondrinas (andorinhas). Um mesmo Ferrari pode aparecer em três ou quatro chegadas, com idades que avançam de lista em lista.

A sequência de idades ajuda a separar homônimos. Se um Ferrari de 24 anos chega em 1896 e um de 27 em 1899, ambos lavradores, do mesmo porto de Gênova, a chance de serem o mesmo homem é alta, e a última viagem costuma ser a que antecede a ida ao Brasil.

 
 

II  O Registro

Os livros que o porto de Buenos Aires guardou

A Argentina organizou a recepção de imigrantes com a Lei 817, de 1876, conhecida como Lei Avellaneda, a lei de imigração e colonização do presidente Nicolás Avellaneda. Ela criou o Departamento de Imigração e obrigou o registro dos passageiros de segunda e terceira classes que chegavam para ficar.

O recém-chegado tinha direito a hospedagem gratuita no Hotel de Inmigrantes (Hotel de Imigrantes), perto do cais, por alguns dias, até arranjar trabalho ou seguir para o interior. O prédio definitivo ficou pronto em 1911 e hoje abriga o Museo Nacional de la Inmigración, em Buenos Aires.

As listas de passageiros sobreviveram nos arquivos da Dirección Nacional de Migraciones (Direção Nacional de Migrações). O CEMLA, fundado em Buenos Aires em 1985, transcreveu esses livros linha a linha e montou a base que hoje responde à busca por sobrenome.

O PORTO ANOTAVA A PROFISSÃO DECLARADA, NEM SEMPRE A DE FATO

Muitos passageiros se diziam agricultores ou jornaleiros (trabalhadores de diária), porque a lei favorecia a mão de obra do campo. Um sapateiro de Mântua pode surgir na lista como lavrador. O campo da profissão vale como pista, não como prova.

A base também tem buracos conhecidos. Há anos com listas incompletas, páginas ilegíveis e navios inteiros sem transcrição. Quem chegou por Montevidéu e atravessou o rio da Prata em barco pequeno, ou desembarcou no porto de Rosário, nem sempre entrou nos livros de Buenos Aires.

Outro limite está no próprio serviço. A consulta gratuita mostra o registro resumido; o certificado de chegada, documento impresso com os dados do livro, é pedido à parte ao CEMLA, mediante pagamento. Para a árvore, o resumo grátis já entrega data, vapor e porto, os três dados que abrem o resto da pesquisa.

O historiador argentino Fernando Devoto, no livro “Historia de la inmigración en la Argentina” (Sudamericana, 2003), mostra que italianos e espanhóis formaram as duas maiores correntes de chegada ao país, e que boa parcela desses imigrantes circulava entre países em vez de se fixar no primeiro porto.

Essa circulação explica o bisavô que some do índice paulista. Ele não fugiu do registro: o registro dele está em castelhano, em outro país, e espera uma busca com a grafia certa.

 

Quem banca a edição de hoje

Tired of news that feels like noise?

Every day, 4.5 million readers turn to 1440 for their factual news fix. We sift through 100+ sources to bring you a complete summary of politics, global events, business, and culture — all in a brief 5-minute email. No spin. No slant. Just clarity.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  A Rota

Do buscador do CEMLA à fronteira gaúcha

A rota parte de três dados da família: sobrenome, prenome provável e uma janela de anos para a chegada. O objetivo é achar a linha do desembarque no CEMLA e depois a prova de que o mesmo homem entrou no Brasil.

• Passo 1: entre em cemla.com, abra o buscador de passageiros e digite apenas o sobrenome, sem prenome.

• Passo 2: repita a busca com as variantes da grafia, como Ferraris, Ferraro e Ferrero.

• Passo 3: filtre os resultados pela nacionalidade italiana e pela janela de anos da família.

• Passo 4: compare idade, estado civil e profissão de cada linha com o que a família conta do bisavô.

• Passo 5: anote data, vapor e porto de embarque de cada candidato antes de abrir o próximo resultado.

No passo 1, o sobrenome sozinho rende mais do que a busca com prenome e sobrenome juntos. O prenome castelhanizado, como Juan no lugar de Giovanni, derruba a busca exata, e a lista do sobrenome mostra o leque inteiro de chegadas.

Achada a chegada em Buenos Aires, falta o caminho até o Brasil. Por terra, a rota mais comum ia de trem pela província de Corrientes até Paso de los Libres e cruzava o rio Uruguai para Uruguaiana. A ponte entre as duas cidades só foi inaugurada em 1945; antes dela, a travessia era feita de barco.

Do lado brasileiro, a melhor prova costuma ser posterior à chegada. O Decreto-Lei 406, de 1938, obrigou o estrangeiro residente no Brasil a se registrar na polícia, e as fichas desse registro, quando sobreviveram nos arquivos estaduais, trazem data e porto de entrada declarados. Ali, Buenos Aires pode aparecer escrito à mão.

Os processos de naturalização, consultáveis no Arquivo Nacional pelo SIAN (Sistema de Informações do Arquivo Nacional), guardam a mesma informação em quem pediu a cidadania brasileira. Se o bisavô se naturalizou, o processo costuma repetir a data de desembarque que ele lembrava.

Se nenhuma ficha aparecer, o registro de casamento no Brasil ainda ajuda. O padre ou o escrivão costumava anotar a naturalidade do noivo, e um termo como natural da Itália, residente antes em Buenos Aires, confirma a escala argentina mesmo sem data.

Vale também procurar os filhos. Um irmão mais velho do avô nascido na Argentina, com certidão de lá, prova que a família morou no país antes da fronteira, e o batismo portenho dá o endereço da casa.

Quando as duas pontas batem, a mesma data no CEMLA e na ficha brasileira, a árvore ganha o vapor, o porto de saída na Itália e, por ele, a província onde procurar o batismo.

“Na sua família, alguém contava que o bisavô passou pela Argentina antes de chegar ao Brasil?”

Hoje, até as 22h: entre no buscador do CEMLA, faça 3 buscas com o sobrenome do bisavô em três grafias e anote cada data de chegada que aparecer.

 
 
Quiz da edição

Segundo a edição, a busca gratuita por nome na base do CEMLA cobre os desembarques no porto de Buenos Aires em qual intervalo de anos?

A1876 a 1911
B1914 a 1960
C1882 a 1960
D1885 a 1945

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🌳🌳🌳🌳🌳  ótima 🌳🌳🌳🌳  boa 🌳🌳🌳  ok 🌳🌳  ruim 🌳  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 23/10, 23h

A Porto de Vitória →
B Certidão de Inteiro Teor →
C Hospedaria do Bom Retiro →
D Projeto Resgate →
 
Recomendação de Newsletter
Crime Aberto

Crime Aberto

Toda noite, às 20:20, um caso brasileiro que ficou em aberto. O que os autos dizem, o que os autos silenciam e onde o sistema falhou.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
 
 

Boa procura.

Raiz do Sobrenome

RAIZ DO SOBRENOME

Um sobrenome por dia, com o registro que prova

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter