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A rota do Müller até o lote colonial tem quatro endereços, e em cada um o nome pode estar escrito de um jeito.
O primeiro é Hamburgo. As listas de passageiros do porto cobrem de 1850 a 1934, guardam milhões de nomes e estão no Staatsarchiv Hamburg, com boa parte digitalizada e indexada.
Bremen, o outro porto grande da emigração alemã, perdeu quase tudo: as listas antigas foram descartadas e o resto se foi na Segunda Guerra. Quem embarcou por lá se acha pela chegada, nunca pela saída.
Quem veio na primeira leva, antes de 1850, não aparece em lista de Hamburgo. A pista está do lado de cá, na papelada da colônia.
O segundo endereço é o porto de Rio Grande, com a subida pela lagoa dos Patos até Porto Alegre e o último trecho pelo rio dos Sinos, em barco pequeno.
O terceiro é São Leopoldo, a primeira colônia alemã do Rio Grande do Sul. O lote colonial media perto de 77 hectares, vinha com número, e o número entrava no papel junto com o nome do colono.
É o número do lote que interessa. O diretor da colônia anotava colono por colono: nome, tamanho da família, lote entregue e procedência. A última coluna troca a palavra Alemanha pelo nome de um povoado.
O quarto endereço é a comunidade evangélica. O livro de batismo traz data de nascimento e de batismo, o pai com o ofício, a mãe com o sobrenome de solteira, os padrinhos e, nos volumes mais antigos, a terra de origem do casal.
O sobrenome de solteira da mãe é o detalhe que destrava caso emperrado. Ele abre uma segunda família, com outra grafia e outro conjunto de erros, e costuma ser a ponte pro registro do lado alemão.
Parte desses livros continua na própria comunidade, com o pastor atual. Parte está no Arquivo Histórico da IECLB, em São Leopoldo, cidade que também abriga o Museu Histórico Visconde de São Leopoldo.
Em Porto Alegre fica o Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, com a documentação da colonização, os mapas de lotes, a correspondência dos diretores de colônia e o Registro Paroquial de Terras de 1854 a 1857, o registro do vigário.
Ali a grafia original continua escrita, do jeito que o próprio colono ditou, antes da campanha de nacionalização passar por cima da língua.
Achar o moinho da sua família começa com três movimentos, nesta ordem.
Passo 1: monte a lista de grafias antes de abrir qualquer base: Müller, Mueller, Muller, Möller, Moller, Miler, Milher, Miller. Busque uma por vez e anote onde cada uma apareceu.
Passo 2: ache a comunidade evangélica da localidade e peça os livros de batismo e de casamento do período. Se não estiverem na paróquia, procure o Arquivo Histórico da IECLB. Copie o nome de solteira da mãe e a procedência do casal.
Passo 3: com a procedência anotada, vá ao Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul atrás do lote e do registro de terras da família, e só então volte às listas de Hamburgo com o povoado em mãos.
O trema caiu numa linha de papel, na velocidade de uma pergunta mal ouvida. O moinho continua dentro do nome, e moinho sempre teve endereço.
"Que ofício a sua família carrega no nome sem saber?"
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