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Uma família que carrega Montezuma no Brasil deixou quatro camadas de papel. O cartório atual guarda as certidões desde 1888. A paróquia guarda batismo, casamento e óbito antes disso. A imprensa guarda o nome em uso, com data impressa em cada edição. E o arquivo português guarda o nome anterior de quem estudou ou serviu sob a Coroa.
A busca monta em quatro paradas e começa dentro de casa, pelo papel mais fácil de conseguir.
A primeira parada é a certidão brasileira de inteiro teor mais antiga que a família alcançar, de preferência um casamento. Ela copia a filiação declarada pelos noivos e costuma trazer a naturalidade, e o inteiro teor mostra as averbações e as anotações de margem que a certidão resumida esconde.
A segunda parada é o assento paroquial, no Arquivo da Cúria Metropolitana de Salvador ou no Arquivo Público do Estado da Bahia, conforme a freguesia. Leve o nome dos pais e o ano aproximado, e leia o livro inteiro do período, porque o índice antigo alfabetizava pelo primeiro nome e não pelo sobrenome.
A terceira parada é a Hemeroteca Digital Brasileira. Rode a busca pelo sobrenome recortando por década e por estado, e anote o ano mais antigo em que a grafia aparece impressa: esse ano marca o limite superior da troca, porque antes dele a família assinava outra coisa.
A quarta parada é o acervo português, no Arquivo da Universidade de Coimbra e na Torre do Tombo, quando o antepassado estudou ou requereu algo à Coroa. O pedido vai por escrito, com nome, filiação e ano, e volta com o nome de origem.
Duas armadilhas derrubam a maior parte das buscas nessa linha, e as duas custam anos.
A primeira é comprar brasão de família com tema asteca. Montezuma no Brasil não descende de Motecuhzoma, e a heráldica vendida por loja de shopping inventa um vínculo que nenhum documento sustenta.
A segunda é subir a linha procurando sempre a mesma grafia. Antes do ponto em que a troca aconteceu, o antepassado assina outro sobrenome, e quem procura só o nome atual conclui que o arquivo falhou quando o arquivo está certo.
Fechar a corrente exige três movimentos, nesta ordem.
Passo 1: suba pelas certidões até o documento mais antigo que declare naturalidade e filiação, e copie a grafia exatamente como está, sem modernizar acento nem abreviatura.
Passo 2: datar a troca na Hemeroteca Digital Brasileira, comparando década por década até achar o ano mais antigo com a grafia impressa.
Passo 3: abra o livro da freguesia no ano anterior a esse e procure o batismo pela filiação, não pelo sobrenome, que ali ainda pode estar escrito de outro jeito.
Hoje: abra a Hemeroteca Digital Brasileira e rode três buscas pelo seu sobrenome, uma em jornais de 1820 a 1850, uma de 1850 a 1880 e uma de 1880 a 1910, e anote o ano mais antigo que aparecer. Amanhã você compara esse ano com a certidão mais velha que tem guardada em casa.
"O sobrenome da sua família aparece impresso antes de 1850, ou a grafia que você usa nasceu depois disso?"
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