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A busca de uma família Leme no Brasil sobe por camadas, e cada camada responde a pergunta que a anterior deixou aberta. A primeira está na gaveta de casa. A última está numa freguesia da Madeira, a milhares de quilômetros da mesa onde a pesquisa começou.
A primeira parada é o cartório paulista. Peça a certidão de casamento mais antiga que a família alcançar, porque ela traz o nome dos pais dos dois noivos e costuma trazer a naturalidade de cada um, dado que a certidão de óbito registra de ouvido e erra muito.
A segunda parada são os inventários e testamentos publicados do Arquivo Público do Estado de São Paulo. Procure o sobrenome nos índices dos volumes impressos, hoje em bibliotecas digitais brasileiras, porque um inventário nomeia todos os herdeiros numa folha só e resolve três gerações de uma vez.
A terceira parada é a Genealogia Paulistana, de Luís Gonzaga da Silva Leme, usada como mapa e não como certidão. Localize o ramo que bate com os nomes dos seus inventários e marque cada ligação proposta como hipótese a confirmar, porque a obra tem mais de um século e trabalhou com fontes que hoje se conferem melhor.
A quarta parada é o Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira. Busque pela freguesia, não pelo sobrenome, e abra o livro de casamentos do período, porque o assento nomeia os pais dos noivos e devolve a geração que ficou do outro lado do oceano.
Três enganos derrubam a maior parte das buscas com este sobrenome.
O primeiro é procurar uma grafia só. O nome aparece escrito Lem, Leem, Leme e, em papel brasileiro do período colonial, Lemos, por descuido de escrivão que ouviu errado e completou a palavra pelo termo mais comum da região.
O segundo é tomar o topônimo como parente. Existe cidade chamada Leme no interior paulista e bairro chamado Leme no Rio de Janeiro, e nenhum dos dois batiza famílias: são nomes de lugar, sem ligação com o tronco flamengo.
O terceiro é comprar brasão de família. A carta de mercê, quando existe, está registrada nominalmente na chancelaria régia e sai de graça na busca do arquivo português; a loja que vende escudo pronto com o sobrenome vende desenho feito no computador.
Fechar a corrente exige três movimentos, nesta ordem.
Passo 1: junte as certidões brasileiras e monte a linha até o antepassado mais antigo com nome e ano confirmados, porque só um ponto firme autoriza a busca do outro lado.
Passo 2: procure esse antepassado nos índices de inventários paulistas e anote a naturalidade declarada no documento, escrita exatamente como está, com erro e tudo.
Passo 3: abra o arquivo madeirense na freguesia indicada e leia o assento de casamento, o papel que nomeia os pais e devolve o degrau anterior.
Hoje: abra a certidão mais antiga da sua gaveta, uma só, e copie num caderno três dados exatos, o nome completo do casal, a cidade citada no documento e o ano do registro. Amanhã você usa esses três dados para pedir o papel da geração anterior.
"Você sabe em que vila portuguesa o seu sobrenome foi escrito pela primeira vez, ou só a versão que a família repete na mesa de domingo?"
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