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A rota dessa família tem quatro trechos, e cada trecho deixou um tipo de papel para trás. A vida na Lituânia deixou assento paroquial. A saída deixou passaporte e registro de embarque no porto do Báltico. A chegada deixou lista de bordo, livro de matrícula da Hospedaria e ficha de estrangeiro. A permanência deixou cartório, livro de paróquia em Vila Zelina e lápide com sobrenome já aportuguesado.
A pesquisa monta em quatro paradas, e começa dentro do Brasil.
A primeira parada é a certidão brasileira de inteiro teor mais antiga que a família alcançar, de preferência o casamento do imigrante. Ela declara filiação e naturalidade, e o nome da mãe vem na forma feminina lituana, com a terminação que o escrevente copiou do papel original.
A segunda parada é o livro de matrícula da Hospedaria do Brás. Com sobrenome e ano aproximado, a consulta devolve a linha do grupo familiar inteiro, com navio, porto e fazenda de destino.
A terceira parada é a ficha de registro de estrangeiro no Arquivo Nacional. Peça a imagem completa, porque a aldeia de nascimento e a assinatura da própria pessoa aparecem no corpo do documento, com os sinais que o cartório apagou.
A quarta parada é o lado lituano. Com a aldeia e a paróquia na mão, o pedido vai ao Arquivo Histórico do Estado da Lituânia ou ao acervo digitalizado de patrimônio documental, à procura do assento de batismo na década certa e na língua daquela década.
Três armadilhas derrubam a maior parte das buscas nessa linha.
A primeira armadilha é tratar Kazlauskienė como outro sobrenome. Quem lê a certidão e conclui que a bisavó pertencia a outra família perde o vínculo justamente onde ele estava explícito, porque aquela terminação declara casamento com um Kazlauskas.
A segunda armadilha é procurar uma grafia só no índice. Kazlauskas, Kazlauskaitė e Kozlovski caem em gavetas alfabéticas distantes do mesmo acervo, e quem digita uma forma não vê as outras duas na tela.
A terceira armadilha é supor parentesco por sobrenome repetido. Kazlauskas é comum demais para provar relação: o que prova é a combinação de paróquia, aldeia e nome dos pais no assento de batismo, e dois Kazlauskas sem esses três elementos em comum não são parentes.
Fechar a corrente exige três movimentos, nesta ordem.
Passo 1: suba pelas certidões brasileiras até o documento mais antigo que declare naturalidade lituana, e copie o nome da mãe do imigrante com a terminação exatamente como o escrevente escreveu.
Passo 2: leve as seis grafias ao livro de matrícula da Hospedaria do Brás e ao Arquivo Nacional, e peça a imagem completa da ficha de registro de estrangeiro, com aldeia, porto e assinatura.
Passo 3: com a aldeia e a paróquia lidas na ficha, abra o livro paroquial correspondente no acervo lituano, na década do nascimento, e confira o nome dos pais antes de aceitar o assento como seu.
Hoje: escreva as seis grafias do seu sobrenome numa folha, Kazlauskas, Kazlauskienė, Kazlauskaitė, Kozlovski, Kozłowski e a forma aportuguesada que está no seu RG, e rode as seis no índice da Hospedaria do Brás, anotando quantos resultados cada uma devolveu. Amanhã você separa as certidões que já tem em casa.
"Qual terminação lituana está escrita no nome da sua bisavó, no papel mais antigo da sua família?"
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