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A rota do sobrenome tem quatro pernas, e cada uma delas produziu um tipo de arquivo. A vila do Minho gerou livro paroquial. A administração régia gerou requerimento e passaporte. A travessia gerou registro de embarque e lista de navio. O território das Minas gerou sesmaria, inventário, testamento e assento paroquial.
A terceira perna passava quase sempre pelo Porto ou por Lisboa, portos de onde saíam as frotas para o Rio de Janeiro. O minhoto descia de sua freguesia até o porto, esperava a frota e cruzava o Atlântico numa viagem de semanas.
A quarta perna começava no desembarque. Do Rio de Janeiro subia-se pelo Caminho Novo, a estrada aberta por Garcia Rodrigues Paes no início do século 18 para ligar o porto às minas, e o percurso terminava em Vila Rica, Sabará, São João del-Rei ou Mariana.
A pesquisa concreta monta em quatro paradas.
A primeira parada é a certidão brasileira de inteiro teor mais antiga que a família alcançar. Casamento e óbito nomeiam pais e naturalidade declarada, e é essa naturalidade que decide se a busca segue para Minas, para o Rio ou para o litoral.
A segunda parada é o acervo mineiro. O Arquivo Público Mineiro e os arquivos das casas de câmara guardam inventário, testamento, escritura e processo de habilitação, e nesses papéis o emigrante português costuma aparecer com a freguesia de origem escrita por extenso.
A terceira parada é a documentação régia portuguesa. Requerimento de licença, passaporte e petição na Torre do Tombo e nos avulsos do Arquivo Histórico Ultramarino ligam o nome brasileiro a uma freguesia específica, com data.
A quarta parada é o livro paroquial de Guimarães no Arquivo Distrital de Braga. Com freguesia e faixa de anos na mão, o baptismo do emigrante é uma busca de páginas, não de agulha em palheiro.
Três armadilhas derrubam a maior parte das buscas por este sobrenome.
A primeira é tratar Guimarães como sobrenome de família única. A vila mandou centenas de homens sem parentesco entre si, e todos saíram com o mesmo apelido de proveniência.
A segunda é procurar a vila e ignorar o concelho. Guimarães tem dezenas de freguesias, cada uma com livro próprio, e sem o nome da freguesia a busca no arquivo distrital não fecha.
A terceira é confiar no destino declarado no requerimento. Muitos declaravam Rio de Janeiro e seguiam direto para as minas, porque a Coroa restringia a ida ao ouro.
Fechar a corrente exige três movimentos, nesta ordem.
Passo 1: suba pelas certidões de inteiro teor até o documento mais antigo que nomeie um português, e copie a naturalidade exatamente como está escrita, inclusive a grafia errada.
Passo 2: leve esse nome de lugar ao acervo mineiro atrás de inventário e testamento, procurando a menção à freguesia de origem e ao nome dos pais.
Passo 3: com freguesia, nome dos pais e faixa de anos, cruze os requerimentos de licença na documentação régia e desça ao livro paroquial digitalizado do Arquivo Distrital de Braga.
Hoje: abra o site do Arquivo Distrital de Braga, escolha uma freguesia de Guimarães e leia uma única página de livro de baptismos, do começo ao fim, antes de dormir. Anote os três primeiros nomes que conseguir decifrar na letra do pároco, porque decifrar essa letra é a habilidade que decide toda a pesquisa daqui para a frente.
"Que freguesia portuguesa está escondida no sobrenome que você assina?"
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