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Esse imigrante deixou quatro camadas de papel em dois países. Nápoles deixou o assento civil e, quando houve roda, o livro da casa. A travessia deixou lista de bordo e registro de entrada em Santos. A instalação em São Paulo deixou matrícula de hospedaria e contrato de colônia. A vida aqui deixou cartório, paróquia e lápide com a grafia já abrasileirada.
A pesquisa monta em quatro paradas, e começa dentro do Brasil, pelo papel mais fácil de obter.
A primeira parada é a certidão brasileira de inteiro teor mais antiga que a família alcançar, de preferência o casamento do imigrante. Ela declara naturalidade e copia o nome dos pais do documento italiano que o noivo apresentou, inclusive quando esse documento trazia os campos vazios.
A segunda parada é a lista de bordo no acervo do Arquivo Público do Estado de São Paulo. Procure pelo sobrenome e pelo ano aproximado da chegada, e anote navio, porto de embarque e comune declarado, porque são esses três dados que fecham a identificação do lado de lá.
A terceira parada é o Portale Antenati, no livro de nascimento do comune anotado. Leia o assento inteiro, e não apenas o nome: a ausência de filiação e a menção à entrega indicam que o sobrenome saiu da instituição.
A quarta parada é o Archivio Storico dell'Annunziata, quando o assento apontar para a casa napolitana. O pedido vai por escrito, com nome, dia e ano do registro civil na mão, e volta com a linha do livro de expostos, com roupa, hora e sinal.
Duas armadilhas derrubam a maior parte das buscas nessa linha, e as duas custam anos.
A primeira armadilha é comprar árvore genealógica pronta de Esposito. O sobrenome foi atribuído a milhares de crianças sem vínculo entre si, e qualquer linhagem que ligue todos eles a um tronco comum está inventando o tronco.
A segunda armadilha é desistir no assento sem filiação. O campo vazio não significa registro incompleto: significa que o dado mora em outro livro, o da instituição, e esse livro costuma ter mais detalhe que o próprio registro civil.
Fechar a corrente exige três movimentos, nesta ordem.
Passo 1: suba pelas certidões brasileiras até o documento mais antigo que declare naturalidade italiana, e copie a grafia do comune exatamente como está, sem corrigir para o nome moderno da cidade.
Passo 2: localize a lista de bordo no Arquivo Público do Estado de São Paulo e confirme o comune com o navio e o ano, porque a certidão brasileira costuma trazer província no lugar de município.
Passo 3: abra o assento de nascimento no Portale Antenati e leia a fórmula de entrega até o fim, anotando a hora e a descrição da roupa, que são as chaves de busca no livro da casa napolitana.
Hoje: abra o Portale Antenati e rode uma busca pelo sobrenome Esposito no comune que a sua certidão mais antiga aponta, limitando a duas décadas em torno do nascimento estimado, e anote quantos assentos apareceram. Amanhã você abre os três mais próximos da data e procura a palavra que registra a entrega.
"O Esposito da sua família nasceu antes ou depois de 1939, e qual certidão prova esse ano?"
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