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A busca por um Camargo brasileiro tem duas metades muito diferentes. A metade recente, do século 20 até hoje, é a mesma de qualquer sobrenome. A metade antiga, do século 19 para trás, é onde o nome dá vantagem real.
A primeira parada é o cartório. Peça certidões de inteiro teor de nascimento, casamento e óbito, subindo de você para os pais e destes para os avós, sempre pedindo a versão completa e nunca a certidão resumida.
A segunda parada é o registro paroquial. Antes de 1889 não existia registro civil no Brasil, e batismo, casamento e sepultamento eram anotados pelo padre. Os livros das paróquias paulistas estão em grande parte digitalizados e cobrem o século 18 inteiro.
A terceira parada é o Arquivo Público do Estado de São Paulo, com os inventários e testamentos, e o Arquivo do Estado somado às listas nominativas de habitantes, que funcionam como censo domiciliar e colocam a família inteira numa mesma página.
A quarta parada é a Genealogia Paulistana, e ela vem depois das outras três, não antes. Com dois ou três nomes já provados em documento, o título Camargos deixa de ser leitura curiosa e vira índice: você procura o seu ramo específico e segue as fontes citadas.
Três armadilhas derrubam a maioria das buscas por esse sobrenome.
A primeira é a homonímia paulista. Havia dezenas de homens com o mesmo nome próprio e o mesmo sobrenome vivendo na mesma capitania ao mesmo tempo, e sem data, sem nome da esposa e sem freguesia você junta duas pessoas diferentes numa só.
A segunda é o sobrenome composto. Camargo circulou colado a outros nomes, como Camargo Ortiz, Pires de Camargo, Leme de Camargo e Camargo Penteado, e o mesmo indivíduo aparece com combinações distintas em documentos de anos diferentes.
A terceira é a herança presumida. Nem todo Camargo brasileiro desce do fundador castelhano. Há Camargo de imigração espanhola do fim do século 19, há adoção de sobrenome de padrinho e há registro tardio, e cada caso muda a rota inteira da pesquisa.
Fechar a corrente exige três movimentos, nesta ordem.
Passo 1: amarre cada geração num documento com data e lugar. Nome solto em árvore de site colaborativo não sustenta o degrau seguinte.
Passo 2: entre na Genealogia Paulistana pelo nome já provado, não pelo sobrenome. Procure o indivíduo, leia o ramo em volta dele e anote as fontes que a obra cita.
Passo 3: confirme cada ligação antiga no inventário ou no livro paroquial indicado. A prova de descendência é o documento que nomeia pai e filho na mesma linha.
O nome que hoje aparece numa certidão de nascimento do interior paulista começou num vale de maré da baía de Santander, atravessou o mar na única janela em que as duas coroas ibéricas eram uma só e ganhou nove volumes de papel em 1903. A prova está no livro de batismo, com o nome do pai escrito ao lado.
"Qual é a vila do outro lado do mar que o seu sobrenome ainda carrega?"
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