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A prova de descendência sobe do papel mais novo ao mais antigo, e em cada degrau se exige filiação, lugar e data. Uma família baiana que diz vir do Caramuru precisa chegar, pela própria documentação, a um nome que Jaboatão lista em 1768.
O primeiro trecho é civil. O registro civil no Brasil começou em 1889, e para os nascidos depois dessa data a certidão de inteiro teor, com os nomes dos avós, resolve cada geração. Para antes, a pesquisa troca o cartório pela paróquia.
O segundo trecho é eclesiástico. O Arquivo da Cúria Metropolitana de Salvador guarda livros de batismo, casamento e óbito das freguesias antigas, e boa parte está digitalizada no FamilySearch com o título Brasil, Bahia, Registros da Igreja Católica. O assento de casamento traz os pais dos noivos, e é ele que faz a árvore subir.
O terceiro trecho é o encontro com o catálogo. Quando a árvore chega a meados do século XVIII com um sobrenome das casas que Jaboatão listou, como Dias Adorno, Aragão ou Argolo, o pesquisador compara filiação por filiação. Nome igual não basta: precisa bater o casal, a freguesia e a década.
Três enganos derrubam a maioria das árvores com Caramuru.
O primeiro é usar o sobrenome Álvares como prova. Ele era comum em Portugal inteiro e chegou à Bahia por centenas de famílias sem relação com Diogo.
O segundo é pular do século XIX direto para 1510. Se entre o bisavô e o catálogo de 1768 faltam três gerações sem assento, a linha está aberta, e o honesto é escrever na árvore que a ligação é tradição familiar.
O terceiro é tratar o poema de 1781 como fonte. Santa Rita Durão fez literatura épica, com licença de poeta, e nada do que ele narra serve de prova de parentesco.
O que a pesquisa às vezes não consegue fechar tem causa concreta: muitos livros paroquiais baianos do século XVII sofreram cupim, umidade e perda, e a lacuna costuma ficar entre 1650 e 1720. Quando falta o livro, a ligação fica sem prova, e a árvore deve dizer exatamente isso.
Passo 1: peça a certidão de inteiro teor do avô ou da avó que nasceu na Bahia e anote a freguesia e os nomes dos pais.
Passo 2: procure o casamento desses pais nos livros digitalizados da Cúria de Salvador e suba uma geração por assento.
Passo 3: quando chegar ao século XVIII, compare o casal encontrado com as linhas do catálogo de Jaboatão, e só ligue o fio se filiação, freguesia e década coincidirem.
"Na sua família, quem contou primeiro a história do Caramuru, e essa pessoa mostrou alguma folha ou só repetiu o que ouviu?"
Hoje, até a meia-noite: pergunte a um parente mais velho, um só, de que freguesia baiana vinha o avô dele, e anote a resposta num caderno com a data de hoje.
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