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A busca por um Almeida tem quatro endereços, e nenhum deles começa em Portugal.
O primeiro é o cartório onde a família já está registrada. Peça a certidão de inteiro teor, que copia o assento completo e as anotações da margem, e monte a corrente de nomes até onde o papel provar.
O registro civil brasileiro só passa a valer em 1889, pelo decreto de 7 de março de 1888. Antes dessa data, quem anotava nascimento, casamento e sepultamento era a paróquia.
O segundo endereço é justamente a paróquia. Batismos, casamentos e óbitos de boa parte do país estão digitalizados e abertos no FamilySearch, e é neles que o antepassado português reaparece com a naturalidade declarada.
Vale insistir num documento específico do lado brasileiro. O processo de habilitação de casamento, guardado na cúria diocesana, costuma nomear a freguesia de origem do noivo estrangeiro e o nome dos pais dele.
O terceiro endereço fica na Beira Alta. Os livros paroquiais das freguesias do concelho de Almeida estão descritos no Arquivo Distrital da Guarda, com catálogo e imagens em digitarq.adgrd.arquivos.pt.
O mesmo arquivo guarda os passaportes do Governo Civil da Guarda, de 1870 até o fim dos anos 1930. Cada verbete traz número do passaporte, filiação, naturalidade, estado civil e destino da viagem.
O quarto endereço é a Torre do Tombo, em digitarq.arquivos.pt. Ali estão a Leitura Nova com o foral novo, as Gavetas com o tratado, o Livro das Fortalezas e as habilitações do Santo Ofício, que descrevem gerações inteiras com nome de freguesia ao lado.
Três armadilhas derrubam quase toda busca por Almeida. A primeira é o brasão. As armas da casa de Abrantes pertencem a uma linhagem provada em processo, nunca a todo mundo que assina a palavra.
A segunda é a grafia. Procure também por Almeyda, Talmeyda, de Almeida e d'Almeida, e no buscador do acervo tente o nome sem a preposição, porque o índice costuma alfabetar pela partícula.
A terceira é procurar pessoa quando o caminho é lugar. Achada a freguesia certa, o nome aparece quase sozinho, porque o livro paroquial é organizado por paróquia e nunca por sobrenome.
Achar a primeira aparição do nome segue três movimentos, nesta ordem.
Passo 1: recolha o que a família guarda. Anote nome completo, data, cartório, livro e número de cada certidão, e feche a corrente de gerações até onde o documento sustentar.
Passo 2: atravesse 1889 pela paróquia. Procure batismo, casamento e óbito no FamilySearch, copie a margem inteira e guarde qualquer menção a naturalidade portuguesa.
Passo 3: entre no arquivo português pela freguesia, não pelo sobrenome. Abra o catálogo do Arquivo Distrital da Guarda, escolha a paróquia do concelho de Almeida e leia o livro do ano por ano, anotando cota, livro e fólio.
O sobrenome que três milhões de brasileiros assinam hoje nasceu como descrição de terreno num planalto de fronteira. Está escrito em foral, em tratado e em livro de batismo, sempre preso a um lugar com nome e data.
"Em que freguesia da Beira o seu Almeida estava antes de virar nome de família?"
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