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O sobrenome do dia é Rossi, o mais frequente da Itália, com maior concentração no norte e no centro do país. Vem de rosso (vermelho), apelido dado a quem tinha cabelo ruivo ou pele avermelhada, que passou do pai aos filhos e virou sobrenome de família.
A terminação em i marca o plural: os Rossi, a gente do ruivo. O apelido indicava a casa inteira, e não só o homem que tinha o cabelo vermelho.
Por ser apelido de aparência, o Rossi nasceu em muitos lugares ao mesmo tempo, sem um ancestral comum. Dois Rossi de províncias diferentes quase sempre descendem de ruivos diferentes, sem parentesco algum.
Na grande emigração, famílias Rossi do Vêneto, da Lombardia e da Toscana partiram para o Brasil, a maioria pelo porto de Gênova. A viagem começava num escritório: o agente da companhia de navegação, licenciado pelo governo italiano, vendia o bilhete e recolhia o passaporte.
O passaporte vinha antes de tudo. Era emitido pela Questura (a delegacia de polícia da província) a pedido do emigrante, com o sobrenome copiado do registro civil do comune (a prefeitura italiana) onde ele nascera.
Quando o agente sentava para preencher a lista, tinha o passaporte aberto ao lado. Rossi entrava na folha como estava no documento, escrito por um italiano que lia um sobrenome italiano, sem mal-entendido de pronúncia possível.
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O ROSSI SAÍA DE GÊNOVA ESCRITO POR QUEM LIA O PASSAPORTE
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A lei italiana de 31 de janeiro de 1901, a lei número 23 sobre emigração, amarrou o procedimento. Ela criou o Comissariado Geral da Emigração e obrigou cada vettore (o transportador, a empresa que vendia a passagem) a ter licença e a responder pelo que constava a bordo, com inspetores do governo nos portos de partida.
A lista fazia a viagem inteira com o navio. Em Santos, ela seguia com os passageiros no trem que subia a serra até o Brás, e chegava à hospedaria junto com as famílias que descrevia.
No livro de matrícula, o funcionário reproduzia o que a lista trazia. Se ali estava Rossi, saía Rossi, ao lado da idade, do estado civil e da profissão declarados em Gênova semanas antes.
O livro do Brás ainda acrescentava dados que a lista não tinha: a fazenda ou a cidade do interior para onde a família seguiria, contratada ali mesmo, e o número da matrícula que acompanhava cada imigrante nos dias de hospedagem.
Quando um descendente de Rossi encontra outra forma do sobrenome na família, o desvio não está no porto nem na hospedaria. Está num papel feito no Brasil anos depois da chegada, e a data desse papel é a pista que resolve o caso.
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